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A futura madrasta dos meus filhos me tratou como sua barriga de aluguel pessoal – e depois exigiu um dos meus gêmeos

Quando Nikki concorda em co-criar os filhos com seu ex, jamais imagina que seria tratada como uma barriga de aluguel pela nova namorada dele. Mas à medida que os limites se confundem e as exigências aumentam, Nikki percebe que essa gravidez não é só sobre bebês… é sobre controle. E ela cansou de ser educada.

Quando Stan me deixou, não houve drama. Foi apenas uma conversa em um café, com um encolher de ombros e um ar de desculpas.

— Voltei a falar com a Ursula — ele disse. — Acho que temos assuntos inacabados, Nikki. E, para ser sincero, quero ter certeza de que ela não é a tal que escapou.

— Entendo — respondi, sorrindo para o garçom que trouxe minha fatia de cheesecake. — Você precisa resolver isso. Sem problema.

— Você não está... chateada? — ele perguntou, franzindo a testa.

— Um pouco triste, sim. Mas sejamos honestos, Stan. Estamos juntos há só três meses. E eu não sou a Ursula. A gente merece explorar o que o mundo tem a oferecer.

E ele concordou.

Tudo bem. Doeu, claro. Mas eu me obriguei a superar. E quase consegui... até descobrir, duas semanas depois, que estava grávida. De gêmeos.

Liguei para Stan. Depois de um silêncio longo, ouvi algo inesperado: risos. Riso engasgado, surpreso e, estranhamente, feliz.

— Meu Deus, Nikki. Gêmeos?! Isso é... é incrível!

— Você tá mesmo feliz com isso?

— Claro que sim! São duas vidas inocentes que merecem o mundo!

Aparentemente, Ursula tinha problemas de fertilidade. E Stan sempre quis ser pai.

Ele deixou claro que não queria voltar comigo, mas queria estar presente. E Ursula? Só queria "apoiar o processo".

Mas o que ela chamou de apoio... virou algo bem diferente para todos nós.

Ursula quis me encontrar. Ela e Stan vieram até meu apartamento como se estivessem avaliando um imóvel. Nem sentou antes de despejar seus termos:

— Queremos parto domiciliar. E alimentação com fórmula, para que a guarda seja dividida desde o primeiro dia, entende? Ah, e os bebês vão me chamar de "mamãe". Você será "mamãe Nikki". É para evitar confusão a longo prazo.

Fiquei sem palavras. Não de surpresa, mas de absurdo.

Stan, ao lado dela, comia os brownies que eu havia feito de madrugada por causa de um desejo. Ele não a confrontava. Só abaixava os olhos quando ela falava.

Ali, entendi: ele não ia detê-la. Nem ao menos questioná-la.

— Você só pode estar brincando — falei. Mas minha voz saiu fria, sem humor.

Ursula sorriu daquele jeito calculado de reality show.

— É importante co-criar com intenção — ela disse, como se estivesse recitando uma frase de Pinterest.

Levantei-me. Abri a porta.

Eles saíram em silêncio. Mas ela ficou — ou melhor, o cheiro do perfume dela ficou. Um aroma doce e artificial que me deu dor de cabeça.

Ali, naquele instante, eu soube: isso não seria uma jornada compartilhada.

Seria uma guerra.

Ursula começou a me mandar mensagens todos os dias. Perguntava se eu estava caminhando, o que eu comia, sugeria nomes, cores para o quarto dos bebês, tratamentos alternativos...

Ela até marcou uma consulta genética sem me avisar. Apareceu sozinha, tentou dar o histórico médico dela, como se ela estivesse grávida. O especialista precisou redirecioná-la — duas vezes.

No ultrassom de 20 semanas, só era permitida uma acompanhante. Stan me pediu para levar a Ursula no lugar dele. Recusei na hora.

— Isso aqui não é um projeto em grupo. Estou gerando duas vidas, não montando uma beliche do IKEA — respondi.

As coisas só pioraram.

Postei uma foto da barriga nas redes, feliz e serena. Horas depois, Ursula publicou um vídeo todo cheio de efeitos: "Esperando gêmeos! De forma não-tradicional. Me sentindo abençoada!"

Nem sabíamos o sexo ainda.

E então ela fez um chá de bebê. Eu nem fui convidada.

Mas o pior veio depois.

Bateram à minha porta. Era Julie, mãe da Ursula, com a própria Ursula. Disseram que haviam "decidido" algo.

— Achamos justo você dar um dos bebês para a Ursula — Julie disse.

Eu quase ri. Era tão absurdo que nem consegui me irritar.

— Ah, querem um dos bebês? Tudo bem — respondi, com um sorriso calmo.

As duas se entreolharam.

— O que você quer em troca? — Ursula perguntou.

— Quero que você seja barriga de aluguel para o meu futuro cachorro — falei. — Natural, sem anestesia. E quero que você o amamente também. Justo, não é?

Elas ficaram sem reação.

— Um bebê não é um acessório. Nem prêmio de consolação. Eles são meus filhos. E você, Ursula, é só a namorada do pai deles.

Falei firme. E deixei claro: aparecessem de novo e entraria com ordem judicial.

E cumpri. Avisei Stan por mensagem. Silêncio.

No dia seguinte, fui ao advogado. Disseram que ainda não dava pra definir guarda legal, mas que se eu saísse do estado antes do parto, minha nova residência seria o domicílio legal dos bebês.

Não pensei duas vezes. Me mudei. Três horas de distância. Só minha mãe sabia onde eu estava.

Paz.

Até Ursula descobrir meu local de trabalho. Invadiu, gritou, quebrou janelas. Foi presa. Acusada de danos, invasão e colocar crianças em risco.

Consegui ordem de restrição. Depois, uma contra Stan também.

Hoje, estou em outro estado, com minha mãe. Longe disso tudo.

Stan e Ursula tentaram ainda me contactar. Mas cada mensagem virou nova prova judicial.

Às vezes me pergunto se tudo isso aconteceu mesmo. Se sonhei aquela revelação de sexo com balões ou a visita da sogra com a proposta absurda.

Mas o que é real... são os movimentos dentro de mim.

Os dois pequenos seres humanos crescendo aqui — e eles são meus. Com meu sobrenome. Isso basta.

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