A Surpresa do Casamento
Era o dia do meu casamento. A excitação estava insuportável, e tudo parecia estar saindo conforme o planejado. O local estava perfeito—rosas brancas, corredores iluminados por velas e o sol brilhando pelas janelas abertas, lançando raios suaves sobre os convidados. Meu coração batia forte de antecipação, mas algo estava errado.
Duas horas antes da cerimônia, eu ainda estava na suíte, ajustando minha gravata e me olhando no espelho, quando ouvi uma batida frenética na porta.
"Jace!" uma voz ofegante chamou. Eu me virei e vi Lauren, uma das madrinhas de Clara, com o rosto pálido e preocupada. "A Clara sumiu!"
Fiquei confuso. "O que você quer dizer com 'sumiu'?"

"A suíte da noiva... está vazia," Lauren disse, quase tremendo. "E... e isso foi deixado para trás." Ela me entregou um envelope com o meu nome: Para o Noivo—Urgente!
Peguei o envelope sem pensar, assumindo que era mais uma brincadeira do meu irmão, Mason. "Deve ser só ideia do Mason. Não se preocupe," disse, embora o nó no meu estômago começasse a apertar.
Mas Lauren não parecia convencida. "Jace... isso não parece uma brincadeira. Por favor, olhe a nota."
Eu abri o envelope, e lá estava: uma mensagem na letra desleixada de Mason.
Se você quiser ver sua noiva novamente, leve mil reais e uma garrafa de bourbon para o Restaurante . - Mason

Meu sangue gelou. "Que diabos?" murmurei, baixo.
"Espera, o Mason estava com a Clara?" Lauren perguntou, a voz tremendo.
"Sim," disse, tentando me convencer de que era só uma brincadeira do Mason. "É só o Mason sendo o Mason."
Mas, apesar das minhas palavras, o nó na minha barriga apertou. Peguei minha carteira e a garrafa de bourbon que havia separado para a festa pós-casamento, esperando que isso fosse apenas mais uma das brincadeiras do Mason.
Entrei no carro, o motor zumbindo sob meus dedos, mas meus pensamentos estavam longe da estrada à frente. O que estava acontecendo com a Clara? Por que ela teria ido embora agora, justo antes da cerimônia? Eu não conseguia afastar a sensação de que algo estava terrivelmente errado.

Cheguei ao restaurante pequeno e mal iluminado onde Mason e eu costumávamos ir, esperando encontrá-lo rindo no canto, pronto para revelar a piada. Mas o que vi fez meu coração cair no estômago.
Lá, no centro da sala, estavam Clara e Mason—se beijando.
Eu congelei. Meu corpo inteiro ficou entorpecido enquanto eu ficava parado na entrada, minha mente tentando processar a cena diante de mim. Clara. Minha noiva. Nos braços do meu irmão.
Os olhos de Mason se abriram abruptamente, e ele imediatamente se afastou, seu rosto pálido. "Jace," ele gaguejou, a voz trêmula, "eu juro que isso foi só uma—"
"Uma brincadeira?" terminei por ele, minha voz perigosamente calma. "Uma brincadeira de casamento?"

"Sim," Mason disse, os olhos arregalados. "Jace, não é o que parece."
Mas antes que ele pudesse continuar, Clara se virou para ele, sua expressão uma mistura de frustração e algo mais profundo—desejo.
"COMO ASSIM, UMA BRINCADEIRA?!" ela gritou, a voz alta. "Isso é real, Mason! Você me ama, não é?"
As palavras cortaram como se alguém tivesse cravado uma faca no meu peito. Eu mal conseguia respirar.
Mason ficou parado, paralisado, mas o olhar nos seus olhos me disse tudo o que eu precisava saber. Ele também estava perdido, assim como Clara.

Eu não consegui processar a cena diante de mim. Eu deveria estar com raiva. Eu deveria ter gritado, batido em algo, qualquer coisa. Mas eu não fiz.
Em vez disso, virei de costas e saí.
Meu coração doía, mas não era só dor que eu sentia—era clareza. Eu amava a Clara. Mas ela não me amava da mesma forma que eu precisava. E o Mason? Ele também a amava, quer ele admitisse ou não.
Entrei no carro e dirigi sem rumo, sem saber o que estava fazendo. Meu casamento ainda estava a apenas algumas horas de distância. Os convidados estavam esperando, meus pais estavam esperando. O que diabos eu deveria fazer agora?
Pensei em todos os sinais que havia ignorado. A distância da Clara. O comportamento estranho do Mason. Tudo de repente fez sentido. Mas agora eu tinha que decidir—o que fazer a seguir?
E então, me veio à mente. Eu sabia o que precisava fazer.

Voltei para o local da cerimônia, indo direto para a frente. Os convidados estavam sentados, e a coordenadora correu até mim, os olhos arregalados de pânico.
"Jace! Onde você estava? Todo mundo estava procurando por você! A Clara sumiu e—"
"Eu sei," disse, minha voz surpreendentemente calma. "E eu tenho um anúncio a fazer."
Olhei para a multidão, encontrando Mason sentado perto do altar, as mãos na cabeça. Quando me viu, o rosto dele se contorceu de culpa.
"Jace, eu—"
Levantei a mão, parando-o. "Só me diga uma coisa," disse, minha voz firme. "Você a ama?"
Mason hesitou, a mandíbula tensa. "Eu... eu não sei."
Balancei a cabeça. "Mentiroso."
O rosto de Mason ficou pálido enquanto ele me olhava, mas eu não deixei ele falar. Virei-me para os convidados e respirei fundo. "Esse não é mais o meu casamento," anunciei, alto o suficiente para todos ouvirem. "Agora é o dia dele."

Murmúrios se espalharam pela multidão como fogo. Minha mãe deu um grito. Meu pai suspirou, provavelmente já sabendo o que estava acontecendo.
Voltei-me para Mason. "Onde ela está?" perguntei.
"Eu... eu não sei," ele gaguejou.
Balancei a cabeça. "Então vamos encontrá-la."
Achamos Clara sentada em um banco de praça, com o véu nas mãos, o rosto cheio de lágrimas. Ela nos olhou surpresa, os olhos arregalados.
Mason se aproximou dela com cautela. "Clara..." ele disse suavemente.

"Eu destruí tudo," ela disse entre lágrimas. "Me desculpe."
O olhar dela se fixou em mim, e meu coração se partiu mais uma vez. "Você o ama?" perguntei, a voz quase um sussurro.
Clara me olhou, o rosto confuso, antes de finalmente falar. "Eu acho que sempre amei," disse ela, a voz trêmula. "Me desculpe, Jace."
Olhei para Mason, colocando a mão no ombro dele. "Você deveria se casar com ela," disse, a voz cheia de uma calma decidida.
Mason piscou, surpreso. "Jace—"
"Eu estou falando sério," disse. "Isso não é mais um jogo. Isso é o que é certo."
Clara olhou para mim, enxugando as lágrimas. "Você tem certeza?"
Sorrí de forma suave. "Eu acho que sabia antes de você."

E assim, voltamos para o local do casamento, onde os convidados ficaram boquiabertos ao ver Mason ocupar o meu lugar no altar. Era surreal vê-lo ali com Clara, trocando votos sob o arco que deveria ser meu.
Mas, enquanto os observava, não senti amargura ou raiva.
Eu só senti paz.
Alguns podem me chamar de tolo por transformar meu casamento no dele. Outros podem me chamar de santo por isso.
Mas eu me chamo de livre.