Me Apaixonei pelo Vizinho Rabugento da Minha Nora, mas o Dia de Ação de Graças Revelou a Terrível Verdade Sobre o Nosso Relacionamento
Viver com meu filho e sua esposa insuportável estava longe do arranjo pacífico que eu havia imaginado. Mas, quando o rabugento vizinho da casa ao lado inesperadamente me convidou para jantar, tudo começou a mudar. Mal sabia eu que um plano secreto estava em andamento — um plano que viraria minha vida de cabeça para baixo.
Já fazia duas semanas que eu estava morando com meu filho, André, e sua esposa eternamente ressentida, Cátia. Não era um acordo desejado por nenhum de nós, mas minha lesão na perna — acidental e talvez um pouco exagerada — finalmente obrigou Cátia a consentir, ainda que contra a vontade.

Ela sempre foi contra, claro — há anos. Mas, dessa vez, ela não teve escolha.
Naquela manhã, saí para a varanda e a vi no quintal, tentando ajuntar folhas. Observei de longe e suspirei. A pobre garota não fazia a menor ideia do que estava fazendo.
— Cátia, você está fazendo tudo errado! — gritei. Ela nem levantou a cabeça.
Achei que não tivesse ouvido, então fui até ela, mancando propositalmente. — Estou te dizendo, comece com montes pequenos e depois junte tudo num monte maior. Arrastar folhas assim só desperdiça tempo.
Ela parou de repente, apoiando-se no ancinho, e virou-se para mim. Seu rosto mostrava o cansaço de quem carrega uma criança e uma hóspede indesejada.
— Achei que sua perna doía — disse, olhando para minha caminhada suspeitamente firme. — Talvez já esteja na hora de você voltar para casa?
A audácia dela! Coloquei a mão na perna, fingindo dor.
— Estou tentando te ajudar, mesmo com dor, e é assim que você me agradece?
Ela levou a mão ao ventre, num gesto protetor. — Estou com sete meses de gravidez. Ajudar seria fazer algo realmente útil — respondeu, com a voz mais fria que o ar de outono.
Achei rude, mas sorri forçadamente. Não valia a pena discutir.
Do outro lado da cerca, o senhor Davi — o vizinho ranzinza — apareceu com sua habitual carranca.
— Boa tarde, senhor Davi! — eu disse, animada. Ele resmungou algo e entrou em casa sem sequer olhar para mim. Igual à Cátia — mal-humorada e antissocial.
Dentro de casa, vi poeira nos móveis de novo. Cátia estava de licença maternidade — custava tirar um tempo para limpar? André merecia uma casa bem cuidada, depois de tanto trabalho.
Mais tarde, ela começou a preparar o jantar. Naturalmente, dei alguns conselhos úteis, mas ela não me ouviu. Por fim, virou-se e disse friamente:
— Por favor, saia da cozinha.
Naquela noite, ouvi os dois conversando assim que André chegou. Encostei na parede e escutei.
— Já conversamos sobre isso — disse ele. — Vai ser bom pra todo mundo.
— Eu sei — respondeu ela, suspirando. — Estou tentando, mas é mais difícil do que parece.
Espiei e vi André abraçando-a com ternura, a mão sobre a barriga dela. Ele a consolava como se ela fosse a vítima!
Durante o jantar, não resisti e comentei:
— Sua torta ficou meio crua.
De repente, Cátia sorriu com entusiasmo suspeito:
— Que tal você mesma fazer uma torta e levar para o senhor Davi?
— Aquele rabugento? — resmunguei. — Ele nem me cumprimenta.
— Acho que você está enganada. Ele é só tímido. E, sinceramente… já reparei como ele te olha.
Soltei uma risada seca.
— Se isso é verdade, ele que tome a iniciativa. Um homem deve cortejar uma dama.
No dia seguinte, o inesperado aconteceu. Vi o senhor Davi se aproximando da cerca.
— Dona Margarida — começou ele, meio desconfortável. — Aceitaria jantar comigo?

— Para você, é senhorita Miller — respondi, erguendo uma sobrancelha.
Ele suspirou. — Tudo bem, senhorita Miller. Aceitaria um convite para jantar?
— Eu permito — respondi, cruzando os braços.
— Hoje às sete. Na minha casa — disse ele, virando-se.
Pelo resto do dia, fiquei nervosa como uma adolescente. Às sete em ponto, bati à porta dele. Quando abriu, estava sério como sempre. Durante o jantar, a conversa foi forçada, até que mencionei meu amor por jazz. Seu rosto se iluminou.
— Tocaria meu disco favorito pra você, mas meu toca-discos está quebrado.
— Não precisa de música pra dançar — eu disse, surpresa comigo mesma.
Ele levantou-se e estendeu a mão. Dançamos sob a luz suave enquanto ele cantarolava uma melodia antiga. Senti algo se aquecer dentro de mim. Pela primeira vez em muito tempo, não me senti sozinha.
Na despedida, ele hesitou.
— Pode me chamar de Pedro.
— E você pode me chamar de Margarida — sorri.
Antes que eu saísse, ele se aproximou. Hesitei, mas quando seus lábios tocaram os meus, percebi que não queria recuar. Foi um beijo gentil, tímido, mas despertou algo adormecido dentro de mim.
Pedro tornou-se parte essencial dos meus dias. Ríamos juntos, líamos, cozinhávamos. Ele cantava minhas músicas favoritas enquanto eu mexia as panelas. Encontrei uma felicidade que achava ter perdido.
No Dia de Ação de Graças, convidei-o para jantar conosco. Mas notei algo estranho — ele entrou na cozinha e falou com Cátia:
— Cátia, sobre o toca-discos...
— Já encomendei, senhor Davi. Vai chegar logo. Nem sei como te agradecer. Você me deu paz! Obrigada por topar esse teatrinho.
Aquilo foi como um tapa no rosto.
— Como é?! — explodi, entrando na cozinha.
Cátia empalideceu.
— Era tudo um jogo?! — gritei. — Uma encenação?!
André entrou correndo. — O que está acontecendo?
— Sua esposa armou uma farsa comigo!
— Mãe, a ideia foi minha também. Achamos que você e o senhor Davi poderiam se dar bem. Nenhum dos dois daria o primeiro passo, então demos uma forcinha.
— Oferecendo um toca-discos?! — retruquei.
— Seu filho estava no limite! — Cátia rebateu. — Você critica tudo o que eu faço! E eu estou grávida! Precisava respirar! E funcionou — você se distraiu e eu tive paz!
As palavras dela doeram mais do que eu queria admitir. Olhei para Pedro.
— E você? Esperava mais de você!
— Margarida, eu tentei dizer que não precisava de toca-discos nenhum. Eu queria estar com você!
— Mas aceitou no começo! — acusei.
— Porque você era insuportável! — ele rebateu, e depois suavizou. — Ou pelo menos, era o que eu pensava. Mas você me mudou. Me fez viver de novo. Me ensinou a ver beleza nas pequenas coisas.
Fiquei em silêncio. As palavras dele me tocaram.
— Por que eu deveria acreditar em você?
— Porque eu me apaixonei por você, Margarida. Pela mulher determinada, mandona, que ama profundamente, que cozinha como ninguém e conhece minhas músicas preferidas. Eu te amo. Toda você.
As lágrimas escorreram. Eu também havia me apaixonado. Não conseguia negar, mesmo magoada.
Ele limpou uma lágrima do meu rosto.
— Me dá uma segunda chance?
Assenti devagar. — Tudo bem… Mas o toca-discos fica conosco. Vamos precisar dele para nossa música.
Ele riu, aliviado.
A partir daquele Dia de Ação de Graças, Pedro e eu nos tornamos inseparáveis. Todos os anos, celebrávamos a data ao som daquele toca-discos — nossa trilha sonora de amor, recomeço e segundas chances.
