Meu marido me disse que estava muito ocupado para me buscar no supermercado com sacolas pesadas — então eu o peguei ajudando nossa nova vizinha jovem a se mudar.
Lauren ajustou o peso das sacolas de compras nas mãos e suspirou. O motorista do Uber tinha sido gentil o suficiente para ajudá-la a colocar as sacolas no carro, mas agora, parada em frente à sua casa, ela percebeu que estava por conta própria.
Ela equilibrou a melancia contra o quadril e alcançou a maçaneta da porta, cerrando os dentes.
No momento em que entrou, ouviu a porta da frente se abrir novamente.
"Oi! Cheguei!" ela chamou, largando as pesadas sacolas no balcão com um baque.
Greg entrou logo depois, parecendo relaxado demais para alguém que havia dito que estava "atolado de coisas para fazer."

"Ei," ele disse casualmente, pegando uma garrafa de água na geladeira. "Como foi no mercado?"
Lauren enxugou o suor da testa. "Foi tranquilo. Comprei tudo o que precisávamos."
"Você conseguiu carregar todas as sacolas?" ele perguntou, mexendo no celular, sem nem olhar para ela.
"Sim," ela respondeu, forçando um sorriso doce. "O motorista do Uber foi bem prestativo."
Ela não mencionou o que tinha visto. Ainda não.
Não mencionou como, minutos antes, havia ficado paralisada no Uber, observando Greg—seu marido ocupado demais—carregando caixas pesadas para a nova vizinha, Emma.
Emma, com suas pernas perfeitamente torneadas e um sorriso encantador.
Emma, que aparentemente precisava da ajuda de Greg muito mais do que a própria esposa.
Não, Lauren não ia confrontá-lo. Isso seria fácil demais.
Ela tinha um plano melhor.
Na manhã seguinte, enquanto Greg ainda roncava na cama, Lauren pegou o telefone e discou um número.
"Lauren! Bom dia!" James, o vizinho cinquentão e aposentado, atendeu animado.
"Bom dia, James. Desculpa incomodar, mas meu carro está fazendo um barulho estranho. O Greg anda tão ocupado… Será que você poderia dar uma olhada?" Sua voz soou casualmente sugestiva.
"Não precisa nem pedir duas vezes! Estou indo já!"
Menos de uma hora depois, James já estava com a cabeça enfiada no motor do carro de Lauren, assobiando enquanto fazia a inspeção.
Greg saiu de casa ainda sonolento, vestindo apenas uma calça de moletom. Ele parou abruptamente na varanda ao ver James mexendo no carro da esposa.
"O que tá acontecendo?" ele perguntou, coçando a cabeça.
Lauren sorriu inocentemente. "Ah, o James foi tão gentil de dar uma olhada no meu carro, já que você anda tão ocupado."
James limpou as mãos em um pano e sorriu. "Parece ser a correia dentada. Melhor mandar verificar logo, Lauren."
Greg apertou o maxilar. "Eu podia ter olhado isso."
"Ah, mas eu lembro de você dizendo que estava ocupado demais," Lauren retrucou, inclinando a cabeça.
Greg cerrou os dentes. "Eu ia ver isso depois."
James deu um tapinha no capô do carro e piscou. "Sem problemas, Greg. Sempre bom ajudar!"
Greg ficou em silêncio, apenas observando enquanto James ia embora, assobiando.
Lauren entrou em casa, mas antes lançou a última cartada: "Ah, e por falar nisso… James disse que, se você estiver muito ocupado, ele pode cortar a grama essa semana também."

Ela nem precisou olhar para trás para saber que Greg estava rangendo os dentes.
Nos dias seguintes, Lauren fez questão de mostrar a Greg o quanto não precisava mais dele.
Quando a lâmpada da sala queimou, ela arrastou a escada da garagem e trocou sozinha.
"Eu teria feito isso," Greg murmurou do sofá.
"Ah, tá tudo bem. Sei que você anda ocupado," ela respondeu sem sequer olhá-lo.
Quando o lixo precisava ser levado para fora, ela simplesmente fez isso—sem dizer nada.
Então veio o golpe final.
Durante o jantar, ela comentou casualmente: "O carteiro me ajudou a carregar um pacote pesado hoje. Um homem tão forte."
Greg deixou o garfo cair no prato. "O… carteiro?"
"Uhum," Lauren disse, tomando um gole de vinho. "Ah, e o empacotador do mercado disse que pode me ajudar com as compras da próxima vez. Não é gentil da parte dele?"
Greg apertou o copo com força. "Lauren..."
"Ah, e o James mandou mensagem pra saber se o carro está melhor. Tão atencioso."
Foi a gota d’água.
"Tá, Lauren, qual é o seu problema?!" Greg explodiu, batendo o garfo na mesa.
Lauren recostou-se na cadeira, cruzando os braços. "Como assim?"
"Para com esse joguinho!" Greg passou as mãos pelos cabelos, frustrado. "Você tá estranha. Fica jogando indiretas. James isso, carteiro aquilo—só diz logo o que tá querendo falar!"
Lauren se levantou, apoiando as mãos na mesa. "Beleza. Quer saber?"
Greg cruzou os braços, esperando.
Ela sorriu. O golpe final estava prestes a acontecer.
"Só percebi uma coisa interessante," ela disse, inclinando a cabeça. "Você teve tempo de carregar as malas da Emma, mas não teve cinco minutos para buscar sua esposa no mercado?"
Greg empalideceu. "O quê? Como—"
"Eu vi você, Greg," ela afirmou, cruzando os braços. "Ocupado demais para mim, mas não para a vizinha nova e jovem? Interessante."
"Amor, não foi nada disso—"
"Ah, não?" Ela ergueu a sobrancelha. "Então me explica."
"Ela só pediu ajuda enquanto eu pegava o correio! Não pude dizer não."
"Mas pôde dizer não para mim?"

Greg abriu a boca, mas a fechou sem conseguir responder.
Lauren sorriu de lado. "Se fosse um senhor de 60 anos pedindo ajuda, você teria sido tão prestativo?"
Greg engoliu em seco. Sem resposta.
Lauren se inclinou, sua voz baixa, porém cortante. "Da próxima vez, Greg? Só lembra o quão ocupado você estava."
E saiu da sala, deixando-o sozinho com seu peso na consciência.
Digamos que Greg teve uma mudança milagrosa de comportamento depois disso.
Na próxima vez que Lauren pediu para buscá-la, ele chegou em menos de cinco minutos.
Quando o lixo estava cheio, ele levou para fora sem que ela pedisse.
A torneira vazando? Consertada.
Lição aprendida.
Às vezes, os homens só precisam provar do próprio remédio.