Meus colegas de classe compartilharam comida comigo na escola; eu os visitei individualmente quando fiquei rico.
Héctor nunca esqueceu a gentileza dos seus colegas de classe que compartilhavam comida com ele quando era criança. Então, quando cresceu e ficou rico, decidiu encontrá-los para retribuir essa bondade. Separados por quilômetros, cidades e realidades diferentes, será que ele conseguirá cumprir sua missão?
Você deve ter visitado uma daquelas cafeterias bem aconchegantes, com luzes bonitas e sofisticadas, e aquele aroma delicioso de café, doces, bolos e todos os tipos de quitutes!
Não, minha vida não girava em torno da beleza da cafeteria. Hum... como posso te explicar exatamente como foi?

Ok, você já reparou naquele funcionário solitário que passa o pano no chão e limpa as janelas naquele lugar? Aquela pessoa que tira a sujeira do chão? Aquela pessoa que não pode comprar os bolos, doces e quitutes?
Pois é, esse era o meu pai. Ele trabalhava como faxineiro em uma pequena cafeteria, que não dava dinheiro suficiente. Minha mãe trabalhava como empregada doméstica, e também não ganhava o suficiente. Então, tive uma infância pobre e triste...
Quando eu era menino, minha família não tinha muito. No começo, mamãe e papai conseguiam pagar três refeições por dia e o almoço da escola, mas isso mudou depois que meu pai sofreu um derrame. Ele não pôde mais trabalhar, então minha mãe virou a principal provedora da família.
Eu me sentia muito mal pela situação da minha família, então disse à minha mãe que queria ajudá-la e que pararia de ir à escola até meu pai poder trabalhar de novo. Mas minha mãe recusou.
— Se você quer ajudar a gente, Héctor — ela disse — não desista da escola. Agora, isso é a única coisa que pode mudar o seu destino e o nosso também.

Eu perdia muitas coisas que meus colegas tinham — brinquedos caros, gadgets, sapatos bonitos e roupas novas — mas isso não me machucava. O que me machucava era que, enquanto todo mundo almoçava na escola, eu ficava sentado no parquinho, segurando a barriga e chorando.
— “Está tudo bem!” — eu me dizia. — “Eu não estou com fome!”
O salário da minha mãe sozinho não dava para pagar as contas da casa, e ela parou de me dar almoço. A gente nem chegava a fazer três refeições por dia. Pulávamos o café da manhã na maior parte dos dias e só comíamos almoço e jantar.
Antes disso, minha mãe às vezes me mandava uma banana na lancheira, que eu lembro de ter jogado fora uma vez porque estava cansado de comer banana todo dia! Agora que eu não tinha comida, me arrependi disso. Mesmo.
Um dia, saí da aula no intervalo do almoço e fui para meu lugar de sempre no parquinho, onde eu sempre me sentava, e vi uma lancheira esquecida ali. “Delicioso!” dizia o bilhete ao lado.
Olhei ao redor, achando que alguém tinha esquecido por acidente, mas não havia ninguém por perto. Eu estava com fome, então abri a lancheira, e dentro tinha um sanduíche de atum delicioso e um biscoito.

Eu sei que o que fiz depois foi errado, mas corri com o sanduíche e o biscoito, deixando a lancheira vazia para trás. Me escondi em algum lugar e devorei a comida, e estava tão... gostosa!
Me senti mal por comer o almoço de outra pessoa, mas eu estava morrendo de fome. — “Desculpa,” disse baixinho, pensando que a lancheira não era para mim.
Mas no dia seguinte, a lancheira estava lá de novo, e também no dia seguinte. Eu comi dela mais uma vez, mas depois parei. Por quê? Porque parecia que aquilo não estava certo.
Então, um dia, quando eu ia sair da sala para o parquinho, toda a minha turma me cercou.
— “O que houve, pessoal?” perguntei, confuso.
— “Héctor, por que você parou de comer da lancheira?” meu amigo Tom me perguntou. — “Todo mundo guarda comida para você!”

— “Vocês deixaram a lancheira para mim?” perguntei com lágrimas nos olhos. — “Por quê?”
— “A gente não queria te magoar,” disse minha colega de classe, Stacey. — “Sabemos que você está com fome, que você chora e... Eu pedi para a mamãe colocar mais comida na minha lancheira para eu poder te dar. A gente não queria te contar que estava te ajudando porque a mamãe disse que precisava proteger sua dignidade. Eu não sei bem o que é dignidade, mas a mamãe sempre está certa...”
Isso foi... não sei quantos anos atrás. Sim, eles protegeram minha dignidade, oferecendo comida sem deixar claro que eu era pobre, necessitado e não podia pagar o almoço. Você acredita que um grupo de crianças pequenas fez isso por um colega? Neste mundo louco, é difícil de acreditar, mas meus colegas fizeram isso por mim.
Oi, eu sou o Héctor, e esta é a minha história. Para resumir, de alguma forma escapei da pobreza e me tornei empresário. Agora eu tenho tudo o que nunca poderia imaginar quando era criança, mas ainda faltava algo. Algo no meu coração me dizia que eu precisava retribuir a bondade que meus colegas tiveram comigo. Então decidi encontrá-los.

O senhor Scotliff, meu secretário, foi extremamente prestativo, e eu descobri que alguns dos meus colegas de classe moravam na mesma cidade que eu. Fui visitá-los e os convidei para uma reunião na minha casa. No entanto, alguns tinham se mudado para outros países, estados e cidades, e eu não consegui contato com eles.
Quando meus colegas me visitaram, todos compartilharam suas histórias, e percebi o quanto de dor e sofrimento ainda existia em suas vidas — alguns haviam perdido suas amadas companheiras, outros enfrentavam dificuldades com a educação dos filhos, e outros passavam por problemas financeiros.
Ver eles sofrendo assim me incomodou, e decidi retribuir a bondade ajudando-os. Afinal, foram ELES e seus ESFORÇOS que me fizeram perceber que o mundo não é tão cruel e deprimente quanto pensamos.

Mas sabe de uma coisa? Enquanto todos nós aproveitávamos um churrasco naquele dia no meu quintal, compartilhando nossas histórias felizes, tristes, trágicas e alegres, eu percebi uma coisa. Dor, sofrimento e desafios — fazem parte da vida. A gente pode até odiá-los, mas eles nos tornam mais fortes, e sem eles, não seríamos capazes de sentir a verdadeira felicidade.