O Dia dos Namorados que Nunca Saiu
Fazia anos que eu não via o Jason. Fomos inseparáveis na adolescência, dois namorados do ensino médio com planos para o futuro. Mas a vida, como costuma fazer, nos levou em direções diferentes. Ele foi para a Europa com a família, e perdemos o contato. Pensava nele com frequência, mas nunca imaginei que um cartão de Dia dos Namorados, o que eu havia escrito anos atrás, me traria de volta à sua vida.
Eu estava ensinando minha turma de quarta série quando Mark, um menino quieto mas gentil, se aproximou da minha mesa. Ele segurava algo atrás das costas, com os olhos nervosos.
“Ms. Annie?” ele disse suavemente, “Eu queria te dar algo.”

“Para mim?” perguntei, sorrindo enquanto ele timidamente me entregava um cartão dobrado.
“Sim,” ele disse com uma pequena cabeça, “Você é uma ótima professora. Espero que goste.”
Meu coração deu um salto quando abri o cartão. A caligrafia, tão familiar, me deu um arrepio.
“Para o menino mais engraçado e inteligente que eu conheço. Não me esqueça, ok? Sua, Annie.”

Eu congelei. As palavras estavam ali, mas eu mal conseguia acreditar. Este era o cartão que eu havia escrito para o Jason, o que eu dei a ele no nosso último dia juntos, antes de ele partir. Como ele foi parar nas mãos de Mark?
“Mark,” sussurrei, “De onde você tirou isso?”
“Nas coisas do meu pai,” Mark respondeu com naturalidade. “Até tem o seu nome nele. Gostou?”
“Eu... sim,” disse, minha voz trêmula. “Eu adorei.” Forcei um sorriso, mas por dentro, tudo estava desmoronando. O nome de Jason, a memória dele, de repente voltaram com força. E Mark—Mark era filho dele.
Naquela noite, eu não conseguia parar de pensar nisso. Abri o arquivo de Mark assim que cheguei em casa, meu coração disparado enquanto procurava por respostas. Quando vi o nome do pai dele—Jason—eu soube que não era coincidência. Eu precisava descobrir mais.

No dia seguinte, dirigi até o endereço registrado. Quando a porta se abriu, uma mulher deslumbrante estava diante de mim.
“Posso ajudar?” ela perguntou.
“Eu... estou procurando o Jason,” gaguejei, minhas mãos tremendo.
Ela levantou uma sobrancelha. “Ele não está em casa. O que é isso?”
“Sou a professora do Mark. Queria conhecer seus pais,” disse rapidamente.
O sorriso da mulher congelou por um momento, depois se alargou com um conhecimento discreto. “Eu sou a Katherine. A esposa do Jason. E você?”

Eu pisquei. Esposa? Claro. Meu estômago se revirou com a decepção. Eu tinha esperado—não, eu tinha, ingenuamente, esperado algo diferente.
“Sou a Miss Annie,” disse, tentando soar calma. “A professora do Mark.”
Ela assentiu, seu sorriso agora frio. “Prazer em conhecê-la,” disse. Eu virei e saí, minha mente em turbilhão.
Quando cheguei ao carro, as lágrimas começaram. Eram quentes e implacáveis. O que eu esperava? Que Jason ainda estivesse solteiro, esperando por mim todos esses anos? Não, ele havia seguido em frente. Ele tinha uma família, uma vida que não me incluía.
Mas então, alguns dias depois, depois da aula, uma voz familiar me parou em seco.

“Boa tarde,” Jason disse, parado na porta da minha sala. “Meu filho te deu um cartão de Dia dos Namorados há alguns dias. Eu sei que isso é um péssimo pedido, mas esse cartão é muito importante para mim. Eu gostaria de tê-lo de volta.”
Eu me virei, surpresa. “Jason…”
Ele me olhou com uma mistura de surpresa e arrependimento. “Annie… Eu nunca imaginei que isso poderia ser real. Quando o Mark me disse que a professora dele se chamava Miss Annie, achei que fosse só uma coincidência.”
“Não era,” sussurrei. “Eu fui até sua casa depois que o Mark me deu o cartão, mas a Katherine... ela disse que você não estava em casa.”
“Minha esposa?” ele perguntou, confuso.
“Katherine,” eu esclareci.

Jason suspirou. “Ela não é mais minha esposa. Nós nos separamos anos atrás.”
Eu pisquei, chocada. “O quê? Ela me disse que—”
“Ela está tentando afastar qualquer mulher que se aproxime de mim,” Jason explicou com uma risada cansada. “Ela acha que, se afastar elas, eu vou voltar para ela.”
Eu o encarei, soltando uma risada surpresa, apesar de tudo. Mesmo depois de todos esses anos, ele ainda tinha o poder de me fazer sorrir.
“Então,” ele disse, olhando para o cartão de Dia dos Namorados que eu ainda segurava, “Eu ainda sou o cara mais engraçado que você conhece?”

Eu ri baixinho, meus dedos apertando a borda da mesa. “Por que você guardou ele todos esses anos, Jason?”
Ele me olhou com olhos suaves. “Por que você acha?”
Engoli em seco. “Eu não quero me envolver em nenhum drama com sua ex-esposa,” comecei, tentando manter as coisas em perspectiva.
“Não tem drama,” ele interrompeu. “A Katherine mora em Londres. Ela está só visitando o Mark.”
Eu hesitei, meu coração batendo forte. “Jason... por que você guardou o cartão?” perguntei novamente.

Ele deu um passo mais perto, sua voz agora mais suave. “Pelo mesmo motivo que eu voltei aqui. Por causa de você.”
Eu senti o ar sair dos meus pulmões. “Você voltou por mim?”
Jason assentiu, seu olhar firme. “Eu tive medo de procurar você. Achei que você não fosse se lembrar de mim.”

“Eu nunca te esqueci,” eu disse, minha voz quase inaudível.
Um sorriso surgiu nos lábios dele—o mesmo sorriso do qual eu me apaixonei tantos anos atrás.
Talvez, só talvez, nós tivéssemos o final feliz que ambos achávamos que tínhamos perdido.
